O texto a seguir, um verdadeiro presente,  foi criado por Mônica Estela após nossa conversa sistêmica.
— publicação autorizada pela autora


Eu queria que soubéssemos, sem termos que falar, que a jabuticabeira vai voltar a dar frutinhas no ano que vem. Pode ser que sejam mais miúdas e em menor quantidade. Não tem problema, pois nesse ano eram tantas que se perdiam no chão. Um dia a jabuticabeira vai morrer, como todas as coisas morrem. Mas enquanto isso não acontece, ela vai florindo a cada ano, vai.

Eu queria que soubéssemos, sem termos que falar, que as tartarugas marinhas encontram o fluxo certo no oceano que as levam para outro continente, sem que elas tenham que pensar sobre isso. E que teu pulmão respira. Bem agora, entra o ar e sai o ar, te enchendo de vida. Sem você se dar por isso.

Eu queria que você, ao olhar pro sol do fim do dia, morresse só um pouquinho junto a ele, pra saber da finitude dessa nossa vida de agora. Mas que amanhã, com o primeiro raio de sol, você renascesse por inteiro. E que, ainda dormindo, soubesse que está tudo bem. Que nada se perde ou se ganha.

E veja só, repare bem. Teu coração bombeia o sangue no teu corpo bonitinho, sem esforço, sem pedir por isso.

Eu queria que você olhasse a revoada de gaivotas no céu com aquele olhar transparente. E que o céu te atravessasse por inteiro, e você não teria outra escolha a não ser voar.

Eu queria que soubéssemos que somos muito pequenininhos, talvez quase desimportantes. Que não precisa levar essa vida muito a sério, tampouco não olhar pra ela. Se existe tanta incógnita e confusão nesse mundo de humanos, existe essa verdade também, bem no princípio das coisas, bem no centro de si.
Existe a correnteza, o fluxo, o compasso, o batimento. E talvez, sem muitas garantias, talvez seja só isso. O fluir. Uma e outra vez uma e outra vez uma e outra vez. Sempre de novo, mas sempre diferente. Até que, de repente, tudo muda. E não tem importância, pois, afinal, só se trata disso.

E ser presença no presente. Eu queria que o mundo se calasse no silêncio das árvores, que já compreenderam tudo… sem ter que compreender.

Eu queria que soubéssemos.

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